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May 18, 2013

por Jill Bolte Taylor, autora do livro “A Cientista que curou seu Próprio Cérebro”



Defino responsabilidade (resposta-habilidade) como a capacidade de escolher como vamos responder ao estímulo que chega pelo sistema sensorial em dado momento do tempo. Embora existam certos programas do sistema límbico (emocional) que podem ser acionados de maneira automática, são necessários menos que 90 segundos para um desses programas ser acionado, percorrer nosso corpo, e depois ser completamente banido da corrente sanguínea. Minha resposta de raiva, por exemplo, é uma resposta programada que pode ser disparada automaticamente. Uma vez desencadeada, a química liberada por meu cérebro percorre meu corpo e tenho a experiência fisiológica. Noventa segundos depois do disparo inicial, o componente químico da raiva dissipou-se completamente do meu sangue e minha resposta automática está encerrada. Se, porém, me mantenho zangada depois desses 90 segundos, é porque escolhi manter o circuito rodando. Momento a momento, faço a escolha de me ligar ao neurocircuito ou recuar para o momento presente, permitindo que aquela reação desapareça de minha fisiologia.



A novidade realmente excitante sobre reconhecer meus personagens do lado direito e do lado esquerdo é que tenho sempre uma forma alternativa de olhar para qualquer situação. Meu copo está meio cheio ou meio vazio? Se você me aborda com raiva e frustração, faço a escolha de refletir sua raiva e me envolver na discussão (cérebro esquerdo) ou ser empática e responder com um coração compreensivo (cérebro direito). O que muitos não percebem é que estamos fazendo escolhas inconscientes sobre como respondemos o tempo todo. É tão fácil se deixar pender pelos fios da nossa reatividade pré-programada (sistema límbico) que vivemos navegando no piloto automático. Aprendi que, quanto mais atenção minhas células corticais superiores dão ao que está acontecendo no interior do meu sistema límbico, mais eu posso decidir sobre o que estou pensando e sentindo. Prestando atenção às escolhas que meu circuito automático está fazendo, apodero-me da minha força e faço escolhas de maneira consciente. No final assumo a responsabilidade pelo que atraio para minha vida.



Hoje em dia, passo muito tempo pensando sobre pensar, simplesmente porque considero meu cérebro fascinante. Como disse Sócrates: “Uma vida sem reflexão não merece ser vivida”. Não há nada mais fortalecedor do que perceber que não preciso pensar em coisas que me causam dor. É claro que não há nada de errado em pensar sobre essas coisas, desde que eu tenha consciência de que estou escolhendo me envolver nesse circuito emocional. Ao mesmo tempo, é libertador saber que tenho o poder consciente de parar de ter esses pensamentos quando estou saciada deles. É libertador saber que tenho a habilidade de escolher uma mente pacífica e amorosa (a do lado direito), sejam quais forem minhas circunstâncias físicas ou mentais, decidindo dar um passo à direita e trazer meus pensamentos de volta ao momento presente.



É mais comum que eu escolha observar o ambiente com olhos que não julgam, os do lado direito da mente, que me permitem conservar minha alegria interior e permanecer distante daquele circuito emocional carregado. Só eu decido se alguma coisa vai ter uma influência positiva ou negativa sobre minha psiqué.



Recentemente, estava dirigindo pela estrada e cantando em voz alta, acompanhando meu CD favorito de Ginger Curry, entoando “Alegrilla em meu coração”. Para meu espanto, fui parada por excesso de velocidade (aparentemente, havia excesso de entusiasmo ao volante). Desde que fui multada, tive de repetir pelo menos cem vezes a decisão de não ficar triste com isso. Aquela voz da negatividade estava sempre tentando se erguer e me deprimir. Eu queria rever o drama muitas vezes, repetí-lo sem parar em minha cabeça, de todos os ângulos mas, independentemente de minha contemplação, a situação teria sempre o mesmo desfecho. Com honestidade, considero essa obsessão do lado esquerdo de minha mente contadora de histórias uma perda de tempo e um dreno emocional. Graças a meu derrame, aprendi que tenho o controle e paro de pensar sobre os eventos passados, realinhando-me conscientemente com o presente.



Apesar de tudo isso, há algumas ocasiões em que escolho me colocar no mundo como um ego central sólido, único, separado de você. Às vezes é só uma grande satisfação contrapor minhas coisas do hemisfério esquerdo às suas coisas do hemisfério esquerdo, seja em conversa ou debate acalorado Normalmente, não gosto de sentir a agressividade no interior do meu corpo, por isso evito o confronto hostil e escolho a compaixão.

Para mim, é realmente fácil ser bondosa com os outros quando me lembro de que nenhum de nós veio ao mundo com um manual sobre como fazer tudo corretamente. Somos, em última análise, um produto de nossa biologia e do ambiente. Em decorrência, escolho ter compaixão com os outros quando considero quanta bagagem emocional dolorosa somos biologicamente programados para carregar por aí. Reconheço que erros serão cometidos, mas isso não significa que preciso me tornar vítima ou considerar ações e erros de forma pessoal. Suas coisas são suas coisas, e minhas coisas são minhas coisas. Sentir profunda paz interior e partilhar bondade é sempre uma escolha para cada um de nós. Perdoar os outros e eu mesma é sempre uma escolha. Ver esse momento como um momento perfeito é sempre uma escolha.

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