Quando ser forte deixa de ser uma qualidade
- Simone Alves
- 24 de jul.
- 2 min de leitura
Ser forte é, sem dúvida, uma qualidade. A capacidade de enfrentar dificuldades, assumir responsabilidades e seguir em frente diante dos desafios pode ajudar a superar momentos muito difíceis da vida.
O problema surge quando ser forte deixa de ser uma escolha e passa a ser uma obrigação.
Há pessoas que não sabem como pedir ajuda, têm dificuldade para demonstrar fragilidade e acreditam que precisam resolver tudo sozinhas. Mesmo quando estão sobrecarregadas, continuam dizendo que está tudo bem. Continuam cuidando dos outros, trabalhando, produzindo e assumindo novas responsabilidades.
Por fora, costumam ser vistas como pessoas resilientes, competentes e confiáveis. Por dentro, muitas vezes estão exaustas.
Na clínica, é comum encontrar pessoas que aprenderam muito cedo que não havia espaço para fraqueza. Algumas precisaram amadurecer antes do tempo. Outras cresceram acreditando que demonstrar sofrimento seria um peso para a família ou que pedir ajuda era sinal de fraqueza.
Sem perceber, passam a viver como se precisassem dar conta de tudo o tempo todo.
O custo desse padrão costuma aparecer aos poucos: ansiedade, esgotamento, dificuldade para descansar, culpa ao dizer "não", sensação de solidão e a impressão de que ninguém percebe o quanto elas também precisam de cuidado.
Paradoxalmente, quem sempre é visto como forte também pode se sentir muito sozinho. Afinal, se todos acreditam que essa pessoa sempre dará conta, poucos perguntam como ela realmente está.
A verdadeira força não está em suportar tudo sozinho. Está em reconhecer os próprios limites, aceitar que ninguém consegue ser forte o tempo todo e permitir-se receber ajuda quando ela é necessária.
Na psicoterapia, muitas pessoas descobrem que não precisam abandonar sua força. Precisam apenas deixar de carregar o peso de acreditar que ela deve existir o tempo inteiro.
Ser forte continua sendo uma qualidade. Mas deixa de ser saudável quando custa a própria saúde mental.
Permitir-se ser humano, reconhecer limites e cuidar de si mesmo não diminui a força de ninguém. Pelo contrário: torna essa força mais sustentável, mais autêntica e muito menos solitária.



Comentários